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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

"Reflexão sobre a doença", pelo Espírito de Joanna de Ângelis

Joanna de Ângelis, por Aurora Parpal (1950) ¹

"Qualquer equipamento de uso, sofre os efeitos do tempo, o desgaste dos serviços, os desajustamentos, caminhando para a superação, o abandono…

O que hoje é de relevante importância, amanhã encontra-se ultrapassado e, assim, sucessivamente.

O corpo humano, da mesma forma, não pode permanecer indene às injunções naturais da sua aplicação e das finalidades a que se destina.

Elaborado pelos atos pretéritos é resistente ou frágil, conforme o material com que foi constituído em razão dos valores pertinentes a cada ser.

Muito justo, portanto, que enferme, se estropie, se desgaste e morra.

Transitório, em razão da própria junção, é, todavia, abençoado instrumento do progresso para o Espírito na sua marcha ascensional.

Chamado à reflexão, por esta ou aquela enfermidade, mantém-te sereno.

Vitimado por uma ou outra mutilação, aprofunda o exame dos teus valores íntimos e busca retirar da experiência as vantagens indispensáveis.

Surpreendido pelos distúrbios da roupagem física ou da tecelagem no sistema eletrônico do psiquismo, tenta controlá-los e, mesmo lutando pela recuperação, mantém-te confiante.

Não te deixes sucumbir sob as injunções das doenças.

Através da mente sã reconquistarás o equilíbrio da situação. E se fores atingido na área da razão, desde hoje entrega-te a Deus e confia n’Ele.

A doença faz parte do processo normal da vida como parcela integrante do fenômeno da saúde."

Por Joanna de Ângelis | Psicografia: Divaldo Pereira Franco, in "Episódios Diários"
____
Imagem: 1- "A Veneranda Joanna de Ângelis", por Aurora Parpal, 12/12/1950 - Wikimedia Commons (CC0 1.0)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Umbanda, espírito são, mente sã

"A cura do corpo depende de se curar primeiro a alma,
Pois só remédio não resolve pra quem não conhece a calma...

Aflição e desespero semeiam a insatisfação:
Um coração aflito acolhe a dor e a revolta
E mesmo que o Sol brilhe, ele nada enxerga à sua volta...

A cabeça é tomada de angústia,
Não há pensamento bom;
Da maldade nasce a crença negativa
Que lança raízes dentro do Ser
E a Luz que mora nele não se consegue mais ver...

De repente ―é o que parece―, a vida fica ruim:
Nada serve, nada vale, é um sofrimento sem fim...
Quando se adoece na alma, é preciso muita calma...
Fazer o caminho da volta, pra alcançar a Redenção:
Abandonar a ilusão, sair da escuridão que se formou,
Clareando o entendimento na Luz que Zâmbi emanou.

Lembrar que é filho de Zâmbi,
O Pai que nos criou por Amor,
E amar a si mesmo sem rejeição,
Pois olhar-se com respeito é contemplar a Criação...

Ver a Luz dentro de si,
Ficar consciente,
Pra compreender o instante que passa,
Pois tudo passa...

Não vale perder-se da alma, não vale adoecer!...
Mais vale buscar pela calma, pra sentir e perceber
"Que os muros de dentro não bastam,
Que é preciso buscar a Luz por inteiro
―Por fora e por dentro―,
Porque tudo é Um, tudo é Zâmbi!...

Quem se fecha, porém, se afasta e fica à parte,
Entregue à própria sorte, nos caminhos que traçou
E, como ilha, não percebe o Todo:
Não percebe o “nós”, fica vazio e sem rumo,
Perdido num mar de tempestades,
Como um navio batido por ventos sombrios...

Abandonar essa trilha de dor e de solidão,
Eis a resposta segura pra se ter a libertação:
Acordar e fazer brilhar a própria Luz
―De dentro pra fora―
E abrir com Amor, sem esforço ou lamento,
Um caminho de retorno da Luz,
Pra que a Luz de Zâmbi possa vir
―Por fora e por dentro―
Preencher nossos vazios...
É assim que acontece a cura
E toda a dor vai-se embora..."

via Intaumbanda
Saravá!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Xamã :: Contatos com o além e auto-cura



O xamã (a palavra é de origem tungusiana) não é o mesmo que curandeiro, feiticeiro ou mágico, encontráveis em todos os grupos primitivos até os tempos de hoje. É, na verdade, um tipo especial de indivíduo que sobrevive entre alguns caçadores do Norte da Sibéria e entre os esquimós, e que deixou vestígios na Austrália e na África.

É um homem que combina funções e habilidades que no mundo contemporâneo se divorciaram umas das ou­tras; é simultaneamente sacerdote, médico e artista. Con­forme pode ser comprovado pela arte dos xamãs atuais, muitas das mais antigas pinturas rupestres franco-cantábricas são "xamanistas" — isto é, produzidas por xamãs e derivadas de sua maneira de pensar. Para compreender essas pinturas é necessária, portanto, uma explicação mais precisa do que é o xamã.

Entre vários povos primitivos, xamã e curandeiro pre­enchem funções idênticas e usam idênticas técnicas psico­lógicas, mas cada qual tem caráter e mentalidade comple­tamente diferentes. O curandeiro surge em todos os grupos primitivos, quase sem exceção. Sua função é, antes e aci­ma de tudo, a de médico, mas possui também posição fim; portanto dentro do grupo. Frequentemente se encontra no pólo oposto ao do chefe. Às vezes ambas as funções são exercidas pelo mesmo indivíduo. Na maioria dos casos, seu papel ultrapassa o do médico e se aproxima do exer­cido pelo pastor ou sacerdote — ou pelo psicólogo de hoje.

O xamã também desempenha as funções de padre e médico, mas, ao contrário do curandeiro, age sempre em estado de transe auto-induzido. Quando conjura espíri­tos ou faz tentativas de cura, jamais opera em estado de inteira lucidez e, sim, em êxtase. Encontram-se, portanto, em relação ao xamã, fenômenos psíquicos, tais como tele­patia, clarividência, desaparecimentos e reaparecimentos misteriosos etc. Para o curandeiro, essas atividades per­tencem mais ao reino da mistificação. São exercidas a fim de sublinhar o efeito da sugestão sobre o auditório. O xamã, por outro lado, experimenta todos êsses fenômenos psicológicos com grande intensidade, em sua própria pes­soa. No curandeiro é possível perceber um inconfundível desejo de poder. O xamã, porém, é uma personalidade mais complexa. Em vários casos, torna-se o que é, não por von­tade própria, mas porque é forçado, impelido pelo sen­timento de que é essa a sua vocação. O xamã exerce grande influência sôbre os que o rodeiam, e sua função social é sem dúvida a de lhes controlar e preservar o equilíbrio psicológico, mas desempenha-a, não em busca de poder, mas como resultado de seu próprio desenvol­vimento psicológico.

As diferenças psicológicas entre curandeiro e xamã são encontradas no decurso dos acontecimentos que os levam a adotar suas respectivas funções, nas diferenças entre suas personalidades, em sua atitude em relação ao mundo que os rodeia e nas diferentes técnicas que usam para influir sobre o meio. Finalmente, há o fato de que o xamã é muitas vezes um artista em atividade — cantor, dan­çarino, decorador ou ensaiados —, funções que o curandeiro não desempenha. O xamã com frequência assume involuntariamente seus deveres. Parece estar sob pressão, de que só escapará tornando-se xamã. Narrativas sibe­rianas tornam bem claro que o futuro xamã não sente nenhum desejo consciente para exercer tal ofício, mas é forçado a isso "pelos espíritos" e finalmente acede, para não perecer. O jovem xamã em formação é um homem doente. Sofre de perturbações psicóticas ou epiléticas, além de ser fisicamente enfermo. Apesar de frequentes tentativas para fugir às exigências que sobre ele fazem os espíritos, não o consegue, o que lhe agrava cada vez mais a condição doentia. Encontra-se, então, num dilema que só pode solucionar morrendo ou assumindo o ofício de xamã.

Em termos correntes, sofre de uma psicose progressiva, que o compele a adotar uma atitude mental e um modo de agir estabelecidos pela tradição, ou então perecer. A psicose pode ser tão séria que chegue realmente a destruí-]o, se não for curado a tempo. O processo de cura considerado uma forma de morte e renascimento. O xamã em potencial pressente como o espírito o dilacera, consome e mata. Durante a cura, sente as diversas partes de seu corpo reunirem-se novamente e vê restaurar-se sua personalidade. A psicose de que sofrem tais pessoas deve ter longa história. Em data muito remota, os homens já devem ter descoberto meios de curá-la e devem ter dado a esses meios certas formas tradicionais. 

Em contraste com o curandeiro, que assume sua profissão como indi­víduo saudável, ávido de poder, o xamã, a principio, surge como inválido, que precisa atravessar determinado pro­cesso de desenvolvimento antes de curar-se. As suas fun­ções sociais desenvolvem-se, por assim dizer, como um auxiliar desse processo de cura. E são essas funções sociais, naturalmente, que o tornam tão significativo para o grupo ao qual presta assistência. 


A cura, que se trans­forma num transe prolongado, se bem que frequentemente interrompido, é incorporada à tradição religiosa local. Nesse estado de inconsciência, o xamã vê mentalmente imagens, e a tradicional cosmologia de sua comunidade, sua mitologia, assume em seu espírito uma nova forma artística e poética. Determinadas formas e estilos podem ser atribuídos à influência do xamanismo, e certos mé­todos e técnicas, tais como o drama, a dança, a recitação de odes e o uso de máscaras, provavelmente se originaram, em grande parte, do processo de auto-cura a que o xamã em potencial teve de se submeter.

Os membros da tribo consideram-no alguém que, em transe, pode separar a "alma" do corpo pela força de sua vontade e viajar para o "outro mundo" ou para o "além", onde cria (num plano psicológico) pré-requisitos neces­sários à ocorrência de fatos no mundo real. O xamanismo, como técnica e como atitude mental, deve ter-se de­senvolvido num tempo em que o homem não mais se sentia unido à natureza numa entidade orgânica, e se tornara consciente de uma existência física e mental in­dependente. Vigorosas experiências psíquicas começaram a surgir, não como acidente pessoal, mas como projeções de espíritos estranhos, invisíveis ao comum dos mortais, e que se supunha haverem tomado posse do corpo do xamã. Em terminologia antropológica, os xamãs são clas­sificados como “sacerdotes frenéticos". 

O fenômeno do frenesi só ocorre no estágio do desenvolvimento humano em que o indivíduo não se encontra ainda inteiramente cônscio do efeito de seus próprios processos mentais. O conceito de uma alma capaz de se separar do corpo, continuar a viver depois da morte e mais tarde ser no­vamente dotada de um corpo é de fundamental significa­ção no surgimento do xamanismo. Tanto os homens como os animais dispunham de uma alma, sujeita às mesmas leis que regiam a separação e a reencarnação. A magia dos povos caçadores primitivos, que é de origem muito an­tiga, baseia-se inteiramente na idéia de que a alma dos animais pode ser aprisionada e morta. Segue-se daí que os animais podiam ser mortos pelos mesmos meios.

A fim de garantir o êxito de suas expedições de caça, o xamã transporta-se, ou mais exatamente, manda sua alma para outro mundo, enquanto "seu corpo fica como morto". Ali, ou ele caça espíritos de animais, ou negocia com a "senhora dos animais", espírito a quem toda a fauna deve submissão. Desenhos, poemas e danças, tudo serve ao xamã como meio para descrever sua viagem ao além. O segredo da magia propiciatória da caça consiste na mímica. A expedição bem sucedida é mentalmente visualizada, com antecipação, pelo xamã, e representada com tal convicção que quando os caçadores partem nem sequer concebem a possibilidade de um fracasso. Ao per­seguirem e abaterem a presa, estão dotados da segurança dos sonâmbulos. O xamã tem o poder de afastar doenças e acidentes, tanto quanto possível, através de influência sobre a atitude psicológica do paciente. Essa influência,exercida sobre o bem-estar de seus companheiros de tribo, consiste em despertar entre eles sentimentos de autocon­fiança, ou a absoluta convicção em seu imediato sucesso.

Muita atenção se tem dado, com razão, ao papel social do xamã como mágico, sacerdote e médico. Suas realiza­ções artísticas, porém, talvez sejam mais importantes, senão do ponto de vista social, pelo menos do individual. São logicamente vitais para a compreensão das pinturas rupestres. Todo o processo de se tornar e agir como xamã é essencialmente um processo de criação artística. Para começar, um inválido cura-se desenvolvendo as habilida­des artísticas latentes. Em seguida, sua eficácia social consiste em repetir o processo à vontade, em ocasiões específicas. Principia caindo em transe, para o que usa diversos meios, geralmente o som repetido e monótono de um tambor, acompanhado de movimentos de dança. Perdendo consciência, dá expressão à sua mente criativa subconsciente.

O xamã pode representar vividamente a cosmologia da comunidade aos que o rodeiam. Parece também que, em transe, é capaz de transferir com mais facilidade aos doentes físicos e mentais o poder de curar que adquiriu. Nesse estado cria imagens mentais e acredita achar-se em comunicação com os espíritos, visualizando a mudança de seu plano de consciência como uma '`viagem para o além". Os “espíritos" ou a "viagem" nunca são concebi­dos como manifestações de seu ser pessoal. A "comunica­ção com os espíritos" parece ser uma ativação de re­giões da consciência que ele não consegue pôr em jogo em estado normal. Isto é, evidentemente, uma técnica psí­quica, provavelmente de origem muito recuada, ainda a ser redescoberta pelos psicólogos de hoje, e que aparentemente é remédio muito antigo para estados depres­sivos de espírito.

Nossos conhecimentos do xamanismo são em geral ba­seados em narrativas oriundas da Sibéria e da América do Norte, mas, uma vez que se defina o xamã como al­guém que só pode agir em transe, o fenômeno torna-se muito mais geral. Parece ocorrer em quase todas as re­giões onde sobreviveram, até há bem pouco, culturas caçadoras primitivas: entre os esquimós, os lapões do Norte da Escandinávia, na América do Sul e do Norte, em várias partes da África e no Extremo Noroeste da Austrália.

Fonte: A Arte Pré-Histórica e Primitiva, Andréas Lommel, diretor do Museu de Etnologia de Munique, Livraria José Olympio Editora.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Oração Gnóstica para pedir a cura de uma doença



"Tu, Logos Solar, emanação ígnea,
Cristo em substancia e consciência,
vida potente pela qual tudo avança,
vem até mim e penetra-me,
ilumina-me,
banha-me,
transpassa-me e desperta em meu Ser
todas essas substancias inefáveis
que tanto são parte de Ti
quanto de mim mesmo.

Força universal e cósmica,
energia misteriosa,
eu te conjuro, vem a mim,
remedia a minha aflição,
cura-me de todo mal
e afasta este sofrimento
para que tenha harmonia, paz e saúde.

Peço-o em teu sagrado nome,
que os mistérios
e a Igreja Gnóstica me ensinaram,
para que faças vibrar comigo
todos os mistérios deste plano
e de planos superiores
e que essas forças reunidas
consigam o milagre da minha cura.

Que assim seja!"

sábado, 20 de junho de 2009

Chico Xavier fala sobre a Umbanda - Pinga Fogo - Tupi - 1971

Pinga-Fogo foi um programa de entrevistas e variedades transmitido pela extinta TV Tupi que estreou no ano de 1955 e terminou no início dos anos 80 com a crise financeira que culminou com o fechamento da emissora.   O programa encerrava a programação noturna das terças-feiras da Tupi. O Pinga-Fogo tinha convidados de todas as áreas, mas abordava principalmente a política.   Houve uma edição do programa que entrou para a história da televisão brasileira: Em 28 de julho de 1971 o Pinga-Fogo convidou Chico Xavier para uma edição ao vivo e em rede nacional (coisa pouco comum para as TVs da época).  O programa com previsão inicial de 60 minutos acabou se estendendo por mais de três horas. O sucesso foi tão grande que a TV Tupi apresentou no dia 21 de dezembro do mesmo ano uma outra edição (desta vez como especial de fim de ano) com o medium. A audiência estimada foi de 20 milhões de brasileiros.

No programa "Pinga-fogo" (TV TUPI - 1971)*, o ilustre médium Chico Xavier fala um pouco sobre os trabalhos da Umbanda, Caboclos e Pretos Velhos e sua missão no Brasil. "Nós devemos respeitar a Umbanda como respeitamos todas as religiões..."


* Pinga-Fogo foi um programa de entrevistas e variedades transmitido pela extinta TV Tupi que estreou no ano de 1955 e terminou no início dos anos 80 com a crise financeira que culminou com o fechamento da emissora. 

O programa encerrava a programação noturna das terças-feiras da Tupi. O Pinga-Fogo tinha convidados de todas as áreas, mas abordava principalmente a política. 

Houve uma edição do programa que entrou para a história da televisão brasileira: Em 28 de julho de 1971 o Pinga-Fogo convidou Chico Xavier para uma edição ao vivo e em rede nacional (coisa pouco comum para as TVs da época).

O programa com previsão inicial de 60 minutos acabou se estendendo por mais de três horas. O sucesso foi tão grande que a TV Tupi apresentou no dia 21 de dezembro do mesmo ano uma outra edição (desta vez como especial de fim de ano) com o medium. A audiência estimada foi de 20 milhões de brasileiros.






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