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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Levo comigo tudo que tenho



Bastar-se a Si Próprio 

Bastar-se a si próprio, ser um todo em tudo por si mesmo e poder dizer omnia mecum porto mea [levo comigo tudo que tenho] é, seguramente, a qualificação mais favorável à nossa felicidade. 

Daí a máxima de Aristóteles: felicitas sibi sufficientium est [a felicidade é dos que bastam a si mesmos (Ética a Eudemo, 7, 2)], que nunca devemos nos cansar de repetir. (No fundo, é a mesma ideia presente na sentença muito bem torneada de Chamfort, posta como epígrafe neste livro.) 

Pois não se pode contar com certeza mais que consigo mesmo; ademais, as dificuldades e as desvantagens, os perigos e os inconvenientes que a sociedade traz consigo são inumeráveis e inevitáveis. 

—Arthur Schopenhauer, in Aforismos Para a Sabedoria de Vida, página 65 - trecho do aforismo 09. 

Ilustração de Takahiro Hara


Dica de leitura:

“Tomo aqui o conceito de sabedoria de vida num sentido totalmente imanente, a saber, o da arte de conduzir a vida da maneira mais agradável e feliz possível [...].”

Arthur Schopenhauer é um dos mais importantes nomes da filosofia em língua alemã, junto com Kant, Hegel, Nietzsche e Wittgenstein. Embora muitas vezes considerado um pensador “pessimista”, seus estudos sobre a filosofia oriental possibilitaram-lhe uma visão até então inédita da existência humana: a dor e o tédio são, para ele, os dois polos entre os quais oscilamos do nascimento à morte. Para se ter uma vivência feliz e agradável, portanto, é preciso constantemente equilibrar-se entre esses dois extremos. Em Aforismos para a sabedoria de vida (1851), Schopenhauer discorre, na linguagem límpida que o caracteriza, sobre os elementos principais da existência, demonstrando que a validade de tal visão de vida não apenas perdura até hoje como parece se fortalecer cada vez mais.

Mais de trinta anos após lançar as bases de sua filosofia em O mundo como vontade e representação, Arthur Schopenhauer tornou-se conhecido por Parerga e paralipomena (1851). Deste vasto tratado de mais de mil páginas contendo aquilo que o próprio autor chamou de “escritos esparsos”, Aforismos para a sabedoria de vida compõe o segundo quarto. Nestes ensaios, o pensador se dirige ao leitor com uma linguagem clara e acessível, deixando de lado terminologias filosóficas, para refletir sobre os principais fatores que influenciam a busca humana pela “boa vida” – uma existência agradável e moralmente justa.

Composto por capítulos como “Daquilo que se é”, “Daquilo que se tem”, “Daquilo que se representa”, “Da diferença entre as idades”, o autor – um dos introdutores da filosofia oriental e budista aos pensadores europeus – discorre sobre a amizade, a simplicidade, a felicidade, a vida, a morte, a honra, sempre com um olhar sereno e estável. Em vez de defender o valor absoluto da razão, postula o indivíduo como o próprio detentor dos meios de se chegar à felicidade, afirmando-se, portanto, como um pensador eminentemente humanista. 

“Aquilo que alguém é e tem em si mesmo, em suma: a personalidade e o valor, é o único fator imediato para sua felicidade e seu bem-estar”. 

Chega mesmo a antecipar noções futuras de psicologia e, em seu estilo lapidar e cristalino, propôs ideias hoje correntes: “[...] não é sem razão que nos perguntamos, antes de qualquer outra coisa, pelo estado de saúde uns dos outros e desejamos mutuamente nosso bem-estar: pois esse é com efeito de longe o elemento mais importante para a felicidade humana. [...] a maior de todas as tolices é sacrificar a própria saúde pelo que quer que seja, pelo emprego, pela erudição, pela fama, e tanto mais por volúpia e prazeres efêmeros: pelo contrário, deve-se priorizá-la em face de tudo o mais”.

Aqui está, em toda sua exuberância, a sabedoria daquele que, admitindo a ausência de Deus e o sofrimento intrínseco à experiência humana, enxergava na reflexão, na arte e na conduta moral os grandes trunfos da humanidade, influenciando todos os pensadores posteriores.

Leia agora mesmo Aforismos para a sabedoria de vida 

Os Editores

sábado, 29 de maio de 2010

Não-Pensamento do Dia




"A Terra é bela. Se você começar a viver a sua beleza, desfrutando de seus prazeres sem culpa em seu coração, você está no paraíso. Se você condenar tudo, toda a alegria pequena, se você se tornar um condenador, um envenenador, a mesma terra se transforma em um inferno - só para você. Depende de você, onde você mora, é de sua própria transformação interior. Não é uma mudança de lugar, é uma mudança de espaço interior." OSHO

"No-Thought for the Day: The earth is beautiful. If you start living its beauty, enjoying its joys with no guilt in your heart, you are in paradise. If you condemn everything, every small joy, if you become a condemner, a poisoner, then the same earth turns into a hell — only for you. It depends on you, where you live, it is your own inner transformation. It is not a change of place, it is a change of inner space." OSHO

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